Participação das microempresas no e-commerce brasileiro

 

Segundo dados da ABComm, Associação Brasileira de Comércio Eletrônico, até 2023 mais de um terço das vendas do e-commerce no Brasil, serão feitas por micro e pequenas empresas.

 

O percentual de participação das microempresas no e-commerce que era de 6% em 2003 atingirá o patamar de 34% em 2023, ou seja, um crescimento de mais de 567% no período de vinte anos. Essa descentralização tende a continuar ainda mais nos próximos anos, trazendo ainda mais microempreendedores para o e-commerce.

 

Tabela 1: crescimento da participação das microempresas no e-commerce:

Ano Share de PMEs
2003 6%
2004 6%
2005 6%
2006 6%
2007 6%
2008 7%
2009 7%
2010 8%
2011 12%
2012 13%
2013 16%
2014 18%
2015 21%
2016 22%
2017 25%
2018 28%
2019* 29%
2020* 31%
2021* 32%
2022* 33%
2023* 34%

 

Atualmente, a ABComm estima que existam 90 mil lojas virtuais regularizadas e ativas no Brasil, ou seja, que tem CNPJ e realizam pelo menos 100 pedidos mensais. Isso abre muitas oportunidades para quem quer trabalhar com e-commerce, não apenas quem quer abrir um e-commerce do zero, mas também para quem quer ser um Analista de E-commerce ou um Gerente de E-commerce.

 

A quantidade de lojas virtuais no Brasil, estimada pela ABComm, não inclui Pessoas Físicas (PF) que vendem produtos em sites de leilões e classificados, por exemplo.

 

Tabela 2: quantidade de lojas virtuais no Brasil

Ano Quantidade de lojas virtuais
2003 4.500
2004 5.500
2005 6.500
2006 8.000
2007 9.500
2008 12.000
2009 15.000
2010 18.000
2011 23.000
2012 30.000
2013 35.000
2014 45.000
2015 54.000
2016 65.000
2017 71.000
2018 78.000
2019* 87.000
2020* 96.000
2021* 105.000
2022* 114.000
2023* 123.000

 

Segundo Mauricio Salvador, presidente da ABComm, o crescimento da participação das microempresas no e-commerce brasileiro tem três momentos de importância na história do e-commerce.

 

Segundo Salvador, até 2006, o acesso às ferramentas de publicidade online era caro para microempresários. Para anunciar na Internet era preciso gastar uma boa grana para produzir as peças (banners e e-mails) com web designers e agências. Além disso, os veículos cobravam uma fortuna para poder veicular publicidade. Só para se ter uma ideia, com menos de três mil Reais por mês, não dava para fazer marketing digital.

 

A partir do crescimento de sites como Google e BuscaPé, onde os próprios empresários podiam criar seus anúncios e pagar por lances de cliques, sem depender de designers nem ter que arcar com os “investimentos mínimos” exigidos pelos portais, teve início a democratização do e-commerce no Brasil.

 

Outro momento importante foi com o crescimento e a popularização das redes sociais, a partir de 2009, que também possibilitaram que os microempresários conseguissem fazer campanhas de divulgação de seus produtos, com custos baixos. Qualquer um podia tirar uma foto de um produto e publicar no Facebook.

 

Outro aspecto importante da participação das redes sociais no crescimento das microempresas no e-commerce, tem a ver com a confiança do consumidor. Até antes de 2009, os consumidores preferiam comprar em sites conhecidos, de marcas famosas, pois tinham mais confiança de que receberiam seus produtos e não seriam lesados.

 

Com as redes sociais, as microempresas conseguiram se expor mais, usando compartilhamentos e incentivando seus clientes a deixarem depoimentos e opiniões sobre a loja virtual, trazendo mais confiabilidade para novos clientes. Além disso, o consumidor podia também detectar mais rapidamente as lojas virtuais que tinham problemas, pois aprendeu a buscar nas redes sociais antes de decidir pela compra em sites de menor porte.

 

Em terceiro lugar, o fator mais crucial não aumento da participação das microempresas no e-commerce vem se dando em paralelo ao aumento dos marketplaces. Desde 2013, o crescimento exponencial do Mercado Livre e a entrada dos grandes players na modalidade de marketplaces (Americanas.com, Submarino, Extra, Netshoes, Magazine Luiza, entre outros), trouxe mais oportunidade para os micro e pequenos empreendedores.

 

Com a queda do BuscaPé e os preços cada vez mais elevados de cliques no Google, os microempreendedores do e-commerce ainda encontram nos marketplaces um canal alternativo para atração de novos clientes.

 

O crescimento do marketplaces da Amazon no Brasil ainda é uma ameaça distante para a soberania do Mercado Livre, mas é bom não brincar com a maior empresa de e-commerce do mundo.

 

O que muitos microempreendedores tem reclamado, é que as taxas cobradas pelos marketplaces são altas e além disso, players com Amazon, "espremem" margens dos vendedores, causando um efeito predatório no mercado, assim como o Walmart fez nos Estados Unidos.

 

Não ter uma visão de proteção da cadeia e de gerar valor para os fornecedores, é uma estratégia perigosa. Você quebra a concorrência, quebra os fornecedores e sobra quem?

 

Ainda há muita coisa para acontecer no e-commerce. As maiores inovações devem vir da área de pagamentos e logística. Veja aqui um artigo sobre o Futuro da Logística no E-commerce.

 

Por outro lado, as oportunidades do setor estão por todos os lados. Segundo estudo da ComSchool em parceria com ABComm, há mais de duas mil vagas abertas para profissionais de e-commerce.

 

Os cursos de E-commerce da ComSchool são os únicos no mercado que tem certificado reconhecido pela ABComm.